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Irão classifica como “hostil” proposta britânica de missão naval europeia para escolta de petroleiros

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Um porta-voz do Governo iraniano classificou este domingo como “provocativa” e “hostil” a proposta britânica de uma missão naval liderada pela Europa para escoltar petroleiros no Golfo. As críticas foram feitas depois de um navio de guerra da Marinha Real ter chegado ao local para acompanhar as embarcações de bandeira do Reino Unido que atravessam o Estreito de Ormuz.

O Ministério britânico da Defesa anunciou que o HMS Duncan se juntou à fragata HMS Montrose no Golfo para defender a liberdade de navegação naquele estreito, por onde passa um quinto das exportações mundiais de petróleo.

“Ouvimos dizer que pretendem enviar uma frota europeia para o Golfo Pérsico, o que carrega uma mensagem hostil, é provocativo e irá aumentar as tensões”, disse o porta-voz do Governo de Teerão Ali Rabiei, citado pela agência de notícias ISNA. O Irão acredita que a segurança do Golfo deve ser mantida por países da região, acrescenta a fonte governamental, que sublinha: “Somos o maior agente da segurança marítima no Golfo Pérsico.”

Presidente do Irão reuniu-se com chefe da diplomacia de Omã O Presidente do Irão, Hassan Rouhani, reforçou que “a presença de forças estrangeiras não contribuirá para a segurança da região e será a principal fonte de tensões”. As declarações foram feitas após um encontro em Teerão com o ministro das Relações Exteriores de Omã, Yusuf bin Alawi.

Segundo Alawi, o sultanato, que mantém laços cordiais com o Irão e com o Reino Unido, não está a mediar o diferendo mas mostra-se “preocupado” com a segurança no estreito e mantém-se “em contacto com todas as partes”. “Qualquer erro ou movimento mal calculado pode dificultar a navegação em águas internacionais e prejudicar todos”, disse o ministro à televisão estatal de Omã depois do encontro com Rouhani.

Proposta britânica exclui EUA e não consegue adeptos No início da semana passada, o Reino Unido anunciou que estava a planear uma força europeia para escoltar petroleiros no Estreito de Ormuz, em resposta à apreensão pelo Irão de um navio com bandeira britânica a 19 de julho. A captura do Stena Impero aconteceu duas semanas depois de as autoridades britânicas terem detido o petroleiro iraniano Grace 1 ao largo de Gibraltar, alegando que a embarcação se encontrava a violar as sanções da União Europeia à Síria.

Na quinta-feira, o Reino Unido ordenou que a sua Marinha escoltasse navios de bandeira britânica através do estreito, onde o Stena Impero tinha sido tomado pela Guarda Revolucionária Islâmica. A proposta de uma força marítima europeia não tem conseguido adeptos por excluir os EUA.

As autoridades francesas afirmaram que não estavam dispostas a enviar ativos militares adicionais para o Golfo mas garantiram que partilhariam informações e coordenariam os ativos atualmente mobilizados. Os Estados Unidos lembraram que já se encontravam a monitorizar a área e a desenvolver um “esforço marítimo multinacional”, apelidado de Operação Sentinela, para aumentar a vigilância e a segurança nas principais vias navegáveis do Médio Oriente.

“Os países que fazem parte do acordo não devem criar obstáculos” Entretanto, Viena acolheu este domingo uma reunião de emergência com signatários do acordo internacional nuclear de 2015 com o Irão. As tensões têm vindo a escalar desde que os EUA abandonaram unilateralmente o acordo no ano passado e voltaram a impor severas sanções a Teerão, prometendo “pressão máxima” sobre as exportações iranianas de petróleo e o seu setor bancário.

As negociações com os demais signatários do acordo foram “construtivas” mas ainda há questões por resolver, salientou o vice-ministro das Relações Exteriores e principal negociador iraniano sobre o assunto, Abbas Araghchi. Para o responsável, a apreensão britânica do petroleiro iraniano constituiu uma violação do acordo. “Os países que fazem parte do acordo nuclear não devem criar obstáculos à exportação de petróleo iraniano”, sublinhou.

Vários ataques a petroleiros e um drone abatido Teerão tem ameaçado interromper as remessas de petróleo através do estreito se Washington insistir em estrangular a economia iraniana com sanções às suas exportações de petróleo, vitais para uma economia debilitada. Vários petroleiros foram atacados em águas ao largo da costa sul do Irão em maio e junho. Os EUA responsabilizaram o Irão, que negou qualquer envolvimento.

Em junho, Teerão abateu um drone americano de vigilância militar no Golfo, que, segundo as autoridades iranianas, se encontrava a violar o seu espaço aéreo. Washington garantiu que o drone estava em espaço aéreo internacional. O Presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a ordenar uma operação de retaliação mas cancelou-a minutos antes do seu início.

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